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A importância da Experiência do Utilizador na adesão a soluções de Telemonitorização 

A telemonitorização tem vindo a ganhar destaque como uma forma eficiente de acompanhar pacientes à distância, reduzindo deslocações desnecessárias e otimizando os recursos disponíveis na área da saúde. Simultaneamente, promove um papel mais ativo do paciente no seu próprio processo de cuidados. No entanto, o sucesso destas soluções depende, em grande medida, da experiência do utilizador (UX), um fator essencial para garantir a adesão e o uso contínuo destas ferramentas digitais [1].

Uma solução de telemonitorização pode incorporar tecnologia avançada, mas isso não garante sucesso. Se for difícil de utilizar, estiver mal desenhada e/ou não oferecer incentivos adequados, corre o risco de ser abandonada precocemente pelos utilizadores. Para garantir o envolvimento a longo prazo, é necessário ir além da funcionalidade básica e apostar em estratégias que tornem a experiência fluida, motivadora e gratificante [1, 2].

Nesse sentido, a Everythink tem assumido um papel fundamental no desenvolvimento de soluções de telemonitorização centradas no utilizador, aliando design estratégico às melhores práticas de UX. Um exemplo disso é o ELIOT, uma plataforma digital que apoia a telemonitorização de pacientes com patologias crónicas. Através da criação de interfaces intuitivas e acessíveis, estas soluções visam melhorar a utilização e o envolvimento dos utilizadores. Recorrem a abordagens como gamificação, nudging, entre outros, e a integração fluida com dispositivos do dia a dia [3]. Assim, garante-se que as soluções não só são tecnologicamente avançadas, mas também fáceis de usar, altamente envolventes e eficazes na promoção de uma gestão ativa da saúde por parte dos pacientes.

A adesão a soluções de telemonitorização depende não só da tecnologia, mas também de uma experiência de utilização intuitiva, motivadora e adaptada ao dia a dia do utilizador.

Fatores que podem influenciar a adesão a soluções de telemonitorização

Jornada Clara e Intuitiva
A interface deve ser simples e deve orientar o utilizador de forma clara, reduzindo frustrações e dificuldades na navegação [1].

Gamificação e Recompensas
A inclusão de elementos como, por exemplo, desafios, pontuações ou conquistas pode tornar a experiência mais dinâmica e envolvente. Criar uma comunidade interativa, onde os utilizadores compartilham progressos, pode aumentar a motivação [3].

Nudging e Incentivos Comportamentais
Aplicar estratégias de behavioral design, como notificações inteligentes, lembretes personalizados e pequenos incentivos, pode ajudar os utilizadores a reforçar hábitos positivos e promover o uso regular da solução [2].

Suporte e Feedback Contínuo
Disponibilizar canais de suporte acessíveis, como chatbots, FAQs bem estruturadas ou atendimento humano, evita que os utilizadores abandonem a ferramenta por dificuldades técnicas [1].

Integração com o Quotidiano
Por outro lado, soluções que se integram facilmente com dispositivos do dia a dia, como smartwatches ou outras plataformas de saúde digital, tornam-se menos intrusivas e mais naturais na rotina do utilizador.

O Papel dos Viés Comportamentais na Adesão

Contudo, mesmo quando os utilizadores reconhecem a importância de uma ferramenta de telemonitorização, podem surgir barreiras entre a intenção e a ação [4]. Para minimizar esse gap, é possível recorrer a vieses comportamentais, como por exemplo:

  • Framing Effect – Apresentar os benefícios da solução de forma positiva (ex.: “90% dos utilizadores melhoraram a sua saúde”, em vez de “10% não tiveram melhorias”).
  • Commitment Bias – Incentivar pequenas metas progressivas aumenta o sentimento de compromisso e a probabilidade de continuidade no uso da plataforma.

Para que as soluções de telemonitorização sejam eficazes, não basta garantir acessibilidade e usabilidade. É necessário criar uma experiência envolvente, que motive os utilizadores a adotar e manter hábitos saudáveis. Em conclusão, o design centrado no utilizador e a aplicação de estratégias de UX podem fazer toda a diferença na adesão e no impacto positivo destas ferramentas na promoção da saúde e bem-estar.

Referências:

[1] Familoni, B. T., & Babatunde, S. O. (2024). User experience (UX) design in medical products: Theoretical foundations and development best practices. Engineering Science & Technology Journal, 5(3), 1125–1148. https://doi.org/[DOI]
[2] Michie, S., van Stralen, M. M., & West, R. (2011). The behaviour change wheel: A new method for characterising and designing behaviour change interventions. Implementation Science, 6, 42. https://doi.org/10.1186/1748-5908-6-42
[3] Pharmaphorum. (2021, December 14). Gamification for patient care, medical education, and virtual engagement. https://pharmaphorum.com/views-and-analysis/gamification-for-patient-care-medical-education-and-virtual-engagement
[4] Faries, M. D. (2016). Why we don’t “just do it”: Understanding the intention-behavior gap in lifestyle medicine. American Journal of Lifestyle Medicine, 10(5), 322–329. https://doi.org/10.1177/1559827616638017
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