A tecnologia tem revolucionado o setor da saúde, tornando os serviços mais acessíveis e eficientes. No entanto, a inovação só atinge o seu verdadeiro potencial quando coloca o utilizador no centro do processo. O Human-Centered Design (HCD) é uma prática que garante que as soluções digitais são desenvolvidas com base nas necessidades, expectativas e limitações reais dos utilizadores, sejam eles pacientes ou profissionais de saúde [1].
A Everythink contribuiu para o desenvolvimento da plataforma ELIOT através da aplicação de metodologias de design centrado no utilizador em saúde digital, garantindo assim que as soluções desenhadas priorizam a acessibilidade e a intuitividade. A combinação entre user research, que permite compreender o comportamento dos utilizadores, e estratégias de design que facilitam a interação com ferramentas digitais, assegura experiências mais fluídas tanto para pacientes como para profissionais de saúde, em plataformas de monitorização, agendamento e gestão de tratamentos [2].
Embora o conceito de design centrado no utilizador tenha sido introduzido por John E. Arnold em 1958, ganhou destaque com especialistas como Donald Norman e Jakob Nielsen, ao evidenciar a importância de criar produtos intuitivos, acessíveis e emocionalmente envolventes. Segundo Norman [3], a experiência do utilizador pode ser compreendida em três níveis:
- Visceral – O impacto imediato causado pelo design e estética do produto.
- Comportamental – A facilidade de uso e a funcionalidade na prática.
- Reflexivo – O significado que o produto adquire ao longo do tempo para o utilizador.
Na saúde digital, a adoção destes princípios vai além da melhoria da usabilidade: promove a autonomia dos pacientes na gestão da sua própria saúde, ao mesmo tempo que melhora a experiência dos profissionais, facilitando a sua interação com os sistemas.
Por que razão a acessibilidade e intuitividade são essenciais?
O setor da saúde abrange utilizadores com diferentes níveis de literacia digital e necessidades específicas. Um design pouco acessível pode:
i) excluir grupos vulneráveis, como idosos ou pessoas com deficiência, reduzindo a eficácia das soluções;
ii) comprometer a adoção de ferramentas digitais por parte dos utilizadores;
iii) criar obstáculos para os profissionais de saúde, que frequentemente enfrentam sistemas complexos e pouco intuitivos [2].
Para garantir eficácia e inclusão, as soluções digitais devem ser:
- Simples e intuitivas – Interfaces fáceis de navegar, com instruções claras e acessíveis, para pacientes e profissionais.
- Inclusivas – Adaptadas a diferentes públicos, oferecendo opções de acessibilidade, como por exemplo leitura por voz e alto contraste.
- Motivadoras – Que promovam o uso contínuo através de notificações, gamificação e feedback em tempo real, para pacientes e profissionais.
O Impacto do Design Centrado no Utilizador na Saúde Digital
Por conseguinte, a implementação de um design centrado no utilizador na saúde digital tem impactos significativos e mensuráveis:
- Aumento da adesão – Soluções bem desenhadas são mais utilizadas, promovendo assim a continuidade dos cuidados e a colaboração entre pacientes e profissionais de saúde.
- Maior autonomia do paciente – Interfaces intuitivas permitem aos utilizadores não apenas acompanhar o seu estado de saúde, mas também tomar decisões informadas.
- Melhoria da comunicação – Sistemas claros e bem estruturados facilitam o diálogo entre pacientes e profissionais de saúde, otimizando o fluxo de trabalho e reduzindo erros.
- Apoio aos profissionais de saúde – Soluções digitais bem desenhadas agilizam processos administrativos, permitindo maior foco no cuidado direto ao paciente.
Em resumo, o design centrado no utilizador torna as soluções digitais mais eficazes, acessíveis e humanas. Esta abordagem beneficia tanto pacientes como profissionais de saúde, promovendo um ecossistema mais eficiente, inclusivo e orientado para resultados sustentáveis em saúde.