Um dos grandes desafios de saúde a nível mundial é a gestão eficaz de doenças crónicas, principalmente a dificuldade em aprovisionar cuidados e monitorização contínua em tempo real aos pacientes, como é o caso do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Os métodos tradicionais de monitorização envolvem visitas periódicas aos profissionais de saúde e, frequentemente, não são suficientes para garantir intervenções atempadas. Este é um desafio constante, uma vez que, sem monitorização regular, aumenta o risco de não se identificarem sinais de alerta atempadamente, o que pode levar a uma resposta tardia à deterioração do estado de saúde e, consequentemente, a uma redução da qualidade de vida dos pacientes. Além disso, os profissionais de saúde estão limitados na sua capacidade de monitorizar os pacientes em tempo real, especialmente aqueles que vivem em áreas remotas ou que têm dificuldades de mobilidade [1][2].
A tecnologia como solução: sensores inteligentes
Existe, portanto, a necessidade de uma gestão contínua das doenças crónicas, a qual pode ser eficazmente alcançada através da monitorização remota, com recurso a sensores inteligentes e tecnologias de saúde digital. Este tipo de monitorização permite o envio de dados clínicos (como sinais vitais) ao profissional de saúde em tempo real, através de sensores incorporados em objetos do dia a dia, como por exemplo relógios, permitindo um acompanhamento contínuo da evolução da doença. Em alguns casos, o sistema analisa os dados através de um algoritmo que notifica o profissional de saúde em situação de valores anormais, permitindo assim uma intervenção mais célere pelo médico. Estas tecnologias podem ser integradas numa plataforma centralizada (app móvel/desktop), cujo objetivo é facilitar a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde e permitir o acompanhamento e ajuste contínuo da reabilitação.
No geral, a monitorização remota, associada a ferramentas de gamificação, contribui para tornar o processo de reabilitação mais motivador e estimulante, incentivando a prática regular de exercícios e melhorando a adesão ao tratamento [2][3].
Atividade física e reabilitação à distância
A prescrição de atividade física e a reabilitação personalizada, quantificada e acompanhada por monitorização à distância constituem abordagens inovadoras que beneficiam indivíduos com doenças crónicas. O incentivo à prática regular de exercício físico complementa os programas de reabilitação. Isto porque promove uma recuperação mais rápida da função musculosquelética e favorece o ganho de independência. A integração de tecnologias de saúde digital com a prescrição de atividades físicas e cognitivas personalizadas tem o potencial de transformar a abordagem tradicional da reabilitação, oferecendo soluções mais inovadoras, acessíveis e centradas na autonomia e eficiência dos cuidados de saúde [4].
Aplicações práticas e potencial do PhysioSensing
A plataforma de equilíbrio PhysioSensing permite a realização de treinos físicos, desempenhando um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida e na prevenção de quedas. Embora atualmente o PhysioSensing não integre funcionalidades de monitorização remota, a possibilidade de associar treinos cognitivos e físicos com acompanhamento à distância permitiria uma monitorização contínua do risco de queda. A avaliação remota do risco de queda representa uma mais-valia importante, nomeadamente pela possibilidade de deteção precoce de alterações no equilíbrio, permitindo intervenções atempadas [5].
Conclusão
Em suma, a monitorização remota com sensores inteligentes está a transformar a gestão das doenças crónicas. Permite cuidados mais rápidos, personalizados e acessíveis, mesmo à distância.
Ao integrar tecnologia, dados em tempo real e acompanhamento clínico, criamos um novo paradigma centrado na autonomia e qualidade de vida do paciente.