A gestão eficaz da medicação é um dos pilares fundamentais no tratamento de doenças crónicas. Estes doentes, frequentemente sujeitos a regimes terapêuticos complexos e prolongados, enfrentam desafios significativos relacionados com a adesão à terapêutica, erros de administração e qualidade de vida. Neste contexto, a personalização de embalagens de medicamentos surge como uma estratégia com elevado potencial para melhorar a segurança, a eficácia e a experiência do paciente.
A personalização de embalagens como estratégia de saúde
A personalização pode assumir diversas formas: desde o design funcional das embalagens (com cores, formas ou compartimentos distintos) até à impressão de informações específicas, como o nome do paciente, posologia detalhada ou alertas visuais para tomas. Estas soluções tornam-se especialmente úteis para populações envelhecidas ou com défices cognitivos, frequentemente presentes entre os doentes crónicos. A clareza e a organização na apresentação dos medicamentos reduzem a probabilidade de erros de toma, enquanto aumentam a autonomia do paciente.
Para além disso, a personalização de embalagens facilita a adesão terapêutica. Estudos demonstram que os doentes que compreendem melhor a sua medicação — e que se sentem envolvidos no seu processo de tratamento — tendem a cumprir mais rigorosamente as prescrições. Assim, embalagens adaptadas, com calendários de toma integrados ou sistemas que indicam se o medicamento já foi tomado, ajudam a criar rotinas e a reduzir esquecimentos. Por conseguinte, esta abordagem contribui para melhores resultados clínicos e evita complicações que frequentemente resultam em hospitalizações evitáveis [1].
Impacto económico e social da personalização
Do ponto de vista do sistema de saúde, a personalização representa também uma oportunidade de redução de custos indiretos. A não adesão à terapêutica implica, muitas vezes, agravamento das doenças, aumento do número de consultas e exames, e maior consumo de recursos hospitalares. Embalagens personalizadas atuam, assim, como uma ferramenta preventiva, com impacto positivo na sustentabilidade dos serviços de saúde [2, 3].
No caso dos cuidadores, formais ou informações, as embalagens personalizadas com sistema de indicação de toma aportam uma camada de segurança para lidar com o stress e preocupações relativamente à toma da medicação.
A dimensão humana e emocional do cuidado
Importa ainda considerar a vertente emocional e psicológica. Doentes crónicos vivem muitas vezes com a sensação de perda de controlo sobre o seu corpo e o seu dia a dia. Dessa forma, receber uma embalagem personalizada, com instruções claras e linguagem acessível, transmite cuidado, proximidade e confiança. Este fator humano, por vezes negligenciado, tem um papel decisivo na relação terapêutica [4].
Exemplo prático: o NEUpills
O NEUpills – intelligent assistance for medication, a ser desenvolvido pela Neutroplast, pretende aportar a personalização na embalagem de medicamentos, de modo a diminuir as falhas na toma e melhorar a partilha desses dados entre pacientes e cuidadores/médicos. Trata-se de uma intervenção concreta com impacto direto na segurança do tratamento, bem-estar do paciente e cuidador e eficiência do sistema de saúde.
Conclusão
Em resumo, personalizar a embalagem de medicamentos é muito mais do que uma questão estética — é uma resposta prática aos desafios da adesão terapêutica em doenças crónicas. Ao reduzir erros, promover a autonomia e apoiar cuidadores, esta abordagem reforça o envolvimento do paciente e contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde. Integrando tecnologia e empatia, a embalagem torna-se uma verdadeira aliada na promoção de cuidados centrados na pessoa.