Em primeiro lugar, os ensaios clínicos digitais estão a redefinir a forma como conduzimos investigação em saúde. Esta transição tornas os estudos mais acessíveis, eficientes e centrados no participante. A digitalização permite que muitos aspetos de um ensaio — desde o recrutamento até ao acompanhamento dos participantes — sejam realizados remotamente, através de plataformas seguras e dispositivos conectados [1].
Esta abordagem, conhecida como ensaios clínicos descentralizados, reduz barreiras geográficas e melhora a diversidade dos participantes. Além disso, aumenta a conveniência para os participantes, o que se pode traduzir numa maior adesão e melhor qualidade dos dados recolhidos.
Tecnologia ao serviço dos participantes e investigadores
Ferramentas digitais como, por exemplo, aplicações móveis, wearables e sensores biométricos permitem monitorizar, em tempo real, parâmetros de saúde, fornecendo dados contínuos e mais representativos da vida quotidiana dos pacientes [2].
Para os promotores e investigadores, os ensaios clínicos digitais oferecem vantagens claras:
(i) Maior eficiência operacional;
(ii) Redução de custos, e
(iii) Aceleração na obtenção de resultados.
Contudo, estas vantagens exigem cuidados adicionais com a cibersegurança, o consentimento informado eletrónico e a conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).
A proteção dos dados dos participantes continua a ser um fator crítico de sucesso.
O futuro dos ensaios clínicos é digital
Espera-se que a integração de tecnologias emergentes — como a Inteligência Artificial e o blockchain — amplie ainda mais o potencial dos ensaios digitais. Estas inovações permitem reforçar a rastreabilidade, a transparência e a confiança e qualidade nos dados gerados [3].
A transição para um modelo digital representa, assim, um passo decisivo rumo a uma investigação clínica mais inclusiva, ágil e inovadora. O futuro da investigação em saúde passa, cada vez mais, por soluções que integrem tecnologia, ética e experiência humana.