A adesão e aderência à terapêutica são um dos maiores desafios da medicina moderna, sobretudo no tratamento de doenças crónicas e regimes polimedicados. Estima-se que, nos países desenvolvidos, cerca de 50% dos pacientes não tomam os medicamentos conforme prescritos, o que compromete a eficácia dos tratamentos, agrava o estado de saúde e gera custos significativos para os sistemas de saúde, segundo Organização Mundial da Saúde. Neste cenário, a inovação na embalagem farmacêutica, apoiada por tecnologias emergentes, e a personalização, desempenha um papel central na promoção da adesão terapêutica.
Tecnologia ao serviço do cuidado: do invólucro à interação
A evolução tecnológica tem permitido transformar a embalagem tradicional num dispositivo inteligente, capaz de interagir com o paciente e apoiar a sua rotina terapêutica. Um exemplo marcante são as embalagens eletrónicas com sensores incorporados que registam a abertura da embalagem ou a remoção do comprimido. Estes dados podem ser sincronizados com aplicações móveis ou plataformas de monitorização, permitindo alertas personalizados, lembretes e até relatórios para profissionais de saúde ou cuidadores [1].
Outra frente de inovação está nas embalagens com códigos QR ou etiquetas RFID, que oferecem acesso instantâneo a conteúdos educativos, vídeos explicativos ou instruções de toma adaptadas ao perfil do paciente. Esta abordagem aumenta a literacia em saúde e diminui o risco de utilização incorreta [2]. A integração de tecnologias de rastreamento também contribui para a segurança do processo terapêutico, assegurando a autenticidade do medicamento e prevenindo a falsificação, um fenómeno ainda relevante no circuito global. Ao mesmo tempo, soluções de embalagens conectadas podem gerar dados agregados sobre hábitos de adesão, fornecendo insights valiosos para a investigação clínica e para a personalização de tratamentos.
NEUpills: uma solução centrada no utilizador
A Neutroplast, como produtora de embalagens farmacêutica e não alheia às questões sociais, tem vindo a trabalhar para desenvolver uma solução de apoio à adesão e à aderência que seja versátil (para os diferentes tipos de embalagens), que tenha em consideração as necessidades dos pacientes e dos cuidadores, e a rede de saúde: médicos e farmacêuticos.
Assim, a Neutroplast desenvolveu o NEUpills – intelligent assistance for medication, uma solução integrada, que contempla dois dispositivos para serem acoplados às embalagens – uma etiqueta inteligente e uma tampa eletrónica. Ambas emitem alarmes de aviso e validam a toma do medicamento. Por outro lado, estão igualmente conectadas a uma app onde se pode consultar o tratamento, histórico de tomas, entre outras informações relevantes.
Importa sublinhar que estas inovações não pretendem substituir o contacto com o profissional de saúde, mas sim complementar e reforçar o acompanhamento terapêutico, sobretudo em contexto domiciliário, onde os riscos de falha são mais elevados.
Conclusão: a embalagem como aliada do cuidado
Em conclusão, as embalagens farmacêuticas estão a ganhar um novo papel. A tecnologia aplicada à embalagem farmacêutica representa uma alavanca poderosa para melhorar a adesão à terapêutica. É uma inovação com impacto direto na eficácia dos tratamentos, na autonomia dos pacientes e na sustentabilidade dos sistemas de saúde. À medida que a indústria farmacêutica se torna mais centrada no doente, a embalagem deixa de ser apenas um invólucro e passa a ser uma ferramenta ativa de cuidado e inovação.