A medicina personalizada é um modelo inovador que proporciona estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento customizadas a cada indivíduo. Este modelo, aliado ao uso de tecnologias avançadas, como sensores, wearables e softwares de monitorização, permite redefinir os cuidados de saúde, tornando-os mais precisos e eficazes. A integração destas soluções tecnológicas possibilita um acompanhamento contínuo, facilitando a deteção precoce de condições clínicas, a personalização de terapias e a otimização de resultados terapêuticos. [1]
Em particular, a medicina personalizada na área da reabilitação física tem ganho cada vez mais destaque, especialmente com o aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população. Neste contexto, as tecnologias de saúde digital surgem como uma ferramenta inovadora capaz de potencializar a autonomia, mobilidade e bem-estar de idosos e/ ou pessoas com doenças crónicas ou traumatológicas. Estas tecnologias incluem sistemas sensoriais, como sensores de movimento, equilíbrio e força, que permitem a monitorização em tempo real e a quantificação precisa da atividade física. A informação contínua dos sistemas sensoriais tecnológicos permite uma avaliação de forma contínua e também uma deteção precoce de mudanças significativas do estado do paciente. As soluções digitais na área da reabilitação são complementadas por programas de atividade física e/ou cognitiva, realizados com o acompanhamento de profissionais de saúde especializados, que ajustam o plano de reabilitação de acordo com as necessidades individuais e o progresso do paciente. [2][3]
O PhysioSensing é um exemplo de aplicação de medicina personalizada em reabilitação física, no âmbito do equilíbrio. O equilíbrio desempenha um papel fundamental na qualidade de vida e prevenção de quedas, sendo um dos principais indicadores da longevidade, especialmente entre populações envelhecidas. O PhysioSensing é uma ferramenta potente para a avaliação e treino do equilíbrio, permitindo uma análise objetiva da estabilidade postural em condições estáticas e dinâmicas, em vários cenários sensoriais. A base de funcionamento tecnológico do PhysioSensing são os sensores de pressão, que recolhem dados de estabilidade enquanto o paciente realiza os protocolos e exercícios. Através dos dados recolhidos dos sensores de pressão, o software processa e calcula os parâmetros de equilíbrio, como a distribuição do peso do corpo e o deslocamento do centro de pressão (COP) durante um determinado intervalo de tempo, permitindo avaliar com precisão os movimentos do paciente durante a realização de diferentes atividades. Esta informação permite gerar um relatório clínico detalhado sobre o estado do paciente, facilitando um acompanhamento contínuo da evolução do equilíbrio ao longo do tempo. [4]
Adicionalmente, o PhysioSensing possibilita um treino personalizado de equilíbrio, adaptando-se às necessidades individuais de cada pessoa, e contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida a longo prazo. A personalização do treino, aliada ao acompanhamento contínuo, garante que cada paciente recebe uma monitorização adequada às suas necessidades, com vista a otimizar o processo de reabilitação. [4]
A evolução da monitorização remota: Como sensores inteligentes estão a melhorar a gestão de doenças crónicas
Um dos grandes desafios de saúde a nível mundial é a gestão eficaz de doenças crónicas, em particular a dificuldade em aprovisionar cuidados e monitorização continua em tempo real aos pacientes, como é o caso do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Os métodos tradicionais de monitorização envolvem visitas periódicas aos profissionais de saúde e, frequentemente, não são suficientes para garantir intervenções atempadas. Este é um desafio constante, uma vez que, sem monitorização regular, aumenta o risco de não s identificarem sinais de alerta atempadamente, o que pode levar a uma resposta tardia à deterioração do estado de saúde e, consequentemente, a uma redução da qualidade de vida dos pacientes. Além disso, os profissionais de saúde estão limitados na sua capacidade de monitorizar os pacientes em tempo real, especialmente aqueles que vivem em áreas remotas ou que têm dificuldades de mobilidade. [5][6]
Existe, portanto, a necessidade de uma gestão contínua das doenças crónicas, a qual pode ser eficazmente alcançada através da monitorização remota, com recurso a sensores inteligentes e tecnologias de saúde digital. Este tipo de monitorização permite o envio de dados clínicos (como sinais vitais) ao profissional de saúde em tempo real, através de sensores incorporados em objetos do dia-a-dia, como relógios, permitindo um acompanhamento contínuo da evolução da doença. Em alguns casos, o sistema analisa os dados através de um algoritmo que notifica o profissional de saúde em situação de valores anormais, permitindo uma intervenção mais célere pelo médico. Estas tecnologias podem ser integradas numa plataforma centralizada (app móvel/desktop), cujo objetivo é facilitar a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde e permitir o acompanhamento e ajuste contínuo da reabilitação. A monitorização remota, associada a ferramentas de gamificação, contribui para tornar o processo de reabilitação mais motivador e estimulante, incentivando a prática regular de exercícios e melhorando a adesão ao tratamento.[6][7]
A prescrição de atividade física e a reabilitação personalizada, quantificada e acompanhada por monitorização à distância constituem abordagens inovadoras que beneficiam indivíduos com doenças crónicas. O incentivo à prática regular de exercício físico complementa os programas de reabilitação, promovendo uma recuperação mais rápida da função musculosquelética e favorecendo o ganho de independência. A integração de tecnologias de saúde digital com a prescrição de atividades físicas e cognitivas personalizadas tem o potencial de transformar a abordagem tradicional da reabilitação, oferecendo soluções mais inovadoras, acessíveis e centradas na autonomia e eficiência dos cuidados de saúde.[8]
A plataforma de equilíbrio PhysioSensing permite a realização de treinos físicos, desempenhando um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida e na prevenção de quedas. Embora atualmente o PhysioSensing não integre funcionalidades de monitorização remota, a possibilidade de associar treinos cognitivos e físicos com acompanhamento à distância permitiria uma monitorização contínua do risco de queda. A avaliação remota do risco de queda representa uma mais-valia importante, nomeadamente pela possibilidade de deteção precoce de alterações no equilíbrio, permitindo intervenções atempadas. [9]
Em suma, a monitorização remota revela-se uma ferramenta promissora na gestão de doenças crónicas, viabilizando um acompanhamento contínuo, uma maior eficácia dos tratamentos e promovendo uma vida mais saudável, segura e autónoma.
Referências
[1] Stefanicka-Wojtas, D., & Kurpas, D. (2023). Personalised medicine-implementation to the healthcare system in Europe (focus group discussions). Journal of Personalized Medicine, 13(3), 380. https://doi.org/10.3390/jpm13030380
[2] Severin, R., Sabbahi, A., Arena, R., & Phillips, S. A. (2022). Precision medicine and physical therapy: A healthy living medicine approach for the next century. Physical Therapy, 102(1). https://doi.org/10.1093/ptj/pzab253
[3] de Rezende, D. R. B., Neto, I. A., Iunes, D. H., & Carvalho, L. C. (2023). Analysis of the effectiveness of remote intervention of patients affected by chronic diseases: A systematic review and meta-analysis. The Journal of Medicine Access, 7, 27550834231197316. https://doi.org/10.1177/27550834231197316
[4] PhysioSensing – devices for clinical balance testing. (n.d.). PhysioSensing. Retrieved March 24, 2025, from https://www.physiosensing.net/
[5] Glasziou, P., Irwig, L., & Mant, D. (2005). Monitoring in chronic disease: a rational approach. BMJ (Clinical Research Ed.), 330(7492), 644–648. https://doi.org/10.1136/bmj.330.7492.644
[6] Peyroteo, M., Ferreira, I. A., Elvas, L. B., Ferreira, J. C., & Lapão, L. V. (2021). Remote monitoring systems for patients with chronic diseases in primary health care: Systematic review. JMIR mHealth and uHealth, 9(12), e28285. https://doi.org/10.2196/28285
[7] Mercer, L. (2018, June 15). Managing chronic disease with telerehabilitation. Healthrecoverysolutions.com. https://www.healthrecoverysolutions.com/blog/managing-chronic-disease-telerehabilitation
[8] de Rezende, D. R. B., Neto, I. A., Iunes, D. H., & Carvalho, L. C. (2023). Analysis of the effectiveness of remote intervention of patients affected by chronic diseases: A systematic review and meta-analysis. The Journal of Medicine Access, 7, 27550834231197316. https://doi.org/10.1177/27550834231197316
[9] PhysioSensing – devices for clinical balance testing. (n.d.). PhysioSensing. Retrieved March 25, 2025, from https://www.physiosensing.net/