Em primeiro lugar, o aumento da esperança média de vida, a crescente prevalência de doenças crónicas e a escassez de profissionais de saúde têm contribuído para a sobrecarga dos serviços de saúde. Neste contexto, a telemonitorização afirma-se assim como uma resposta eficiente, permitindo o acompanhamento remoto e contínuo de doentes através de tecnologias digitais, como dispositivos conectados e plataformas móveis.
Plataformas como o Eliot permitem recolher e partilhar dados clínicos à distância. Este acompanhamento é particularmente relevante em doenças como diabetes, insuficiência cardíaca, hipertensão e condições pós-AVC, permitindo assim intervenções atempadas, maior comodidade e menor pressão sobre os recursos clínicos.
Redução de visitas presenciais e internamentos evitáveis
Um dos impactos mais significativos da telemonitorização é a redução das deslocações desnecessárias a hospitais e centros de saúde. Os pacientes podem medir, por exemplo, a sua tensão arterial ou glicemia a partir de casa, enviando os dados para a equipa clínica. Por conseguinte, esta abordagem reduz a afluência aos serviços e otimiza a alocação dos recursos.
Em Portugal, projetos como o da ULS do Alto Minho, focado em doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), demonstraram uma redução de 70% nos internamentos e 60% nas idas à urgência no primeiro ano [1]. Internacionalmente, um estudo da JAMA Network demonstrou uma redução de 25% nas hospitalizações em pacientes com doenças crónicas que utilizaram programas de autogestão digital [2].
Intervenção precoce e mais eficácia clínica
A vigilância contínua permite detetar sinais precoces de descompensação clínica. No caso da insuficiência cardíaca, por exemplo, é possível ajustar precocemente a terapêutica e evitar complicações graves. Uma meta-análise revelou que a telemonitorização reduziu significativamente a mortalidade e as hospitalizações por todas as causas em doentes com insuficiência cardíaca [3].
Gestão personalizada e poupança de recursos
A capacidade de acompanhar vários pacientes à distância, em simultâneo, aumenta não apenas a produtividade das equipas clínicas, como também reduz os custos operacionais. De acordo com a Value in Health, os programas de telemonitorização podem reduzir em até 15% os custos globais de cuidados de saúde em doentes crónicos [4].
Em Portugal, além dos ganhos clínicos, o projeto da ULSAM revelou uma poupança média de 28% nos custos por utente, com elevados níveis de satisfação (96%) [1,5].
Maior conforto e satisfação dos pacientes
A possibilidade de ser monitorizado em casa aumenta o conforto e reduz o stress associado às deslocações. O contacto regular com os profissionais de saúde também contribui para o sentimento de segurança e confiança, reforçando a adesão ao tratamento.
Conclusão
Em resumo, a telemonitorização não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma resposta estratégica aos desafios estruturais dos sistemas de saúde. Permite prestar cuidados mais proativos, personalizados e eficientes, reduzindo a sobrecarga do SNS e melhorando, simultaneamente, a sua eficiência e os resultados clínicos. Dessa forma, com soluções como o Eliot, torna-se possível oferecer cuidados centrados no utente, sustentáveis e adaptados às exigências do futuro.