A gestão eficaz das doenças crónicas representa atualmente um dos maiores desafios da saúde pública atual. A telemonitorização – isto é, a recolha remota e contínua de dados de saúde – está a transformar a forma como estas condições são acompanhadas, permitindo intervenções precoces, maior literacia em saúde e melhores resultados clínicos.
Plataformas como o Eliot, que integram dispositivos médicos e aplicações digitais, tornam possível monitorizar sinais vitais como a tensão arterial, o ritmo cardíaco ou os níveis de glicemia de forma segura e eficiente, a partir de casa.
Deteção precoce e acompanhamento personalizado
Um dos principais benefícios da telemonitorização é a sua capacidade de detetar alterações clínicas antes que estas evoluam para situações de urgência. Um simples alerta de alteração nos parâmetros fisiológicos pode levar a um ajuste na medicação ou a uma intervenção médica, evitando complicações. Estudos recentes demonstram que esta abordagem pode reduzir significativamente as hospitalizações associadas a doenças crónicas, com intervenções clínicas mais oportunas e eficazes [1].
Em Portugal, experiências como a da ULS de Amadora-Sintra demonstraram uma melhoria de 45% nos indicadores clínicos em utentes acompanhados por programas de monitorização digital, validando assim o impacto desta abordagem na prática clínica real [2].
Mais autonomia, mais literacia em saúde
A autonomia do utente é reforçada ao permitir o acesso direto aos seus próprios dados de saúde. Essa transparência fomenta a compreensão da condição clínica, facilita a adoção de comportamentos saudáveis e melhora a adesão ao tratamento. As plataformas mais avançadas, como o Eliot, incluem conteúdos educativos, alertas de medicação e recomendações adaptadas à evolução clínica de cada utente.
Um estudo publicado na BMC Cardiovascular Disorders concluiu que doentes com acesso a plataformas de telemonitorização apresentaram uma melhoria significativa na literacia em saúde e na autogestão da doença, principalmente entre populações com baixos níveis de escolaridade [3].
Menos complicações, melhores resultados
As doenças crónicas impõem uma pressão constante sobre os serviços de saúde, sobretudo quando não existe um acompanhamento contínuo. A telemonitorização permite intervir logo antes da crise, reduzindo o risco de internamentos e complicações graves. Dessa forma, com um maior controlo da condição clínica e resposta imediata a sinais de agravamento, diminui-se significativamente o número de hospitalizações evitáveis. Este modelo beneficia o paciente, ao evitar sofrimento e riscos desnecessários, e aumenta a eficiência do sistema de saúde, ao libertar recursos para situações mais complexas.
Além disso, em Portugal, o Plano Nacional de Saúde Digital 2021–2030 da Direção-Geral da Saúde reconhece a telemonitorização como uma das áreas prioritárias para a modernização dos cuidados e a sustentabilidade do SNS [4].
Conclusão
A telemonitorização está a mudar o paradigma da gestão das doenças crónicas. Ao permitir um acompanhamento contínuo, deteção precoce de problemas e maior envolvimento do paciente, esta abordagem contribui para uma saúde mais preventiva, personalizada e eficiente. A experiência da Healthy Smart Cities com a plataforma Eliot demonstra como a telemonitorização pode promover autonomia, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida, ao mesmo tempo que contribui para humanizar os cuidados e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde, especialmente em contextos como a reabilitação pós-AVC. Investir em telemonitorização é investir num futuro com doenças crónicas mais controladas, gerando ganhos tanto para a saúde individual como para a sustentabilidade do sistema de saúde.