Uma ferramenta essencial na personalização da reabilitação e na melhoria do prognóstico clínico
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade a nível mundial, impactando significativamente a funcionalidade e qualidade de vida dos sobreviventes (Feigin et al., 2021). A recuperação eficaz após um AVC depende de uma abordagem multidisciplinar centrada no doente, onde a avaliação funcional desempenha um papel central (Langhorne, Bernhardt & Kwakkel, 2011).
A avaliação funcional permite caracterizar, de forma sistemática e objetiva, as capacidades motoras, cognitivas e de desempenho nas atividades da vida diária. Este processo é fundamental para delinear planos de reabilitação personalizados, identificar prioridades terapêuticas e monitorizar a evolução clínica (Wade, 1992). Através da utilização de instrumentos padronizados como, por exemplo, o Índice de Barthel, é possível quantificar o grau de dependência funcional e avaliar o impacto das intervenções ao longo do tempo (Mahoney & Barthel, 1965).
O acompanhamento longitudinal baseado em avaliações funcionais regulares possibilita uma intervenção mais eficaz e ajustada, contribuindo para a deteção precoce de regressões e para a rápida adaptação dos planos terapêuticos (Turner-Stokes et al., 2005). Além disso, a documentação contínua da progressão funcional promove uma comunicação mais eficiente entre os diversos profissionais de saúde envolvidos na reabilitação (Gill et al., 2013).
A integração de ferramentas tecnológicas que permitam o registo digital e padronizado dessas avaliações potencia ainda mais a sua utilidade clínica, ao garantir acessibilidade aos dados ao longo do tempo e entre contextos de cuidados diferentes (Laver et al., 2020). Neste sentido, a Consola Gripwise surge como uma solução integrada para a realização de testes físicos e funcionais, permitindo o registo automático de parâmetros como a força de preensão manual e o desempenho em escalas como o Índice de Barthel. Esta plataforma facilita o acompanhamento do estado funcional dos doentes, promovendo uma tomada de decisão clínica mais informada e de mais fácil acesso.
Em suma, a avaliação funcional é um pilar essencial na recuperação pós-AVC. Para além de apoiar decisões clínicas, contribui para uma abordagem centrada na pessoa, promovendo a autonomia, a reintegração social e a melhoria da qualidade de vida dos doentes. O seu uso consistente e bem orientado deve ser entendido como um investimento fundamental na eficácia da reabilitação neurológica.
Referências
- Feigin, V. L., Stark, B. A., Johnson, C. O., Roth, G. A., Bisignano, C., Abady, G. G., … & Vos, T. (2021). Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. The Lancet Neurology, 20(10), 795–820.
- Gill, T. M., Allore, H. G., Holford, T. R., & Guo, Z. (2013). Hospitalization, restricted activity, and the development of disability among older persons. JAMA, 292(17), 2115–2124.
- Langhorne, P., Bernhardt, J., & Kwakkel, G. (2011). Stroke rehabilitation. The Lancet, 377(9778), 1693–1702.
- Laver, K. E., Adey-Wakeling, Z., Crotty, M., Lannin, N. A., George, S., & Sherrington, C. (2020). Telerehabilitation services for stroke. Cochrane Database of Systematic Reviews, (1).
- Mahoney, F. I., & Barthel, D. W. (1965). Functional evaluation: the Barthel Index. Maryland State Medical Journal, 14, 61–65.
- Turner-Stokes, L., Williams, H., Johnson, J., & Kofman, S. (2005). Integrated care pathways: towards a solution to the problems of fragmentation and duplication in rehabilitation. Clinical Rehabilitation, 19(2), 187–191.
- Wade, D. T. (1992). Measurement in neurological rehabilitation. Oxford University Press.